Biblioteca Virtual Ecofuturo
Aqui você encontra textos, livros, sites e vídeos especialmente selecionados para sua pesquisa sobre o tema.
Como pensar os cuidados pela vida
Como Pensar um sustentável mundo novo?
Clique nos itens abaixo para ler.
Alguém consegue imaginar um mundo sustentável sem que haja paz entre os povos? Uma cultura de paz se anuncia como fundamental para a conquista de uma sustentabilidade legítima. Não por acaso temos ouvido com frequência a afirmação do nobre pacifista indiano, Mahatma Gandhi (1869-1948), de que cada pessoa deve realizar em si mesma a mudança que deseja ver no mundo. Para compreender a extensão desse pensamento, é preciso antes pavimentar a pista do raciocínio com uma demão de filosofia, um toque de fraternidade e uma boa dose de humildade, sem esquecer do acabamento em bases científicas.
Filosofia para entender nossa história como um processo dialético. Fraternidade para lembrarmos que estamos irmanados na condição de habitantes do mesmo lar. Humildade porque, em se tratando de natureza, não existem João e Maria, mas apenas uma massa indistinta chamada humanidade. E ciência para entender que nosso corpo é feito do mesmo material das estrelas. Portanto, voltando a Gandhi, se queremos paz no mundo, podemos começar cultivando paz em nosso próprio mundo particular.
Leia no Para ir além
“Comunicação ética, cultura de paz e sustentabilidade”,
de Regina Migliori
Pensar que existe um mundo “lá fora” e outro “lá dentro” é pensar de maneira dual, não sistêmica, não inclusiva. Pensar assim, como disse Einstein, é “uma espécie de ilusão de ótica da consciência, e para a sobrevivência da humanidade nós vamos precisar de um modo de pensar substancialmente novo”.
Onde e como buscar um novo jeito de pensar? Governos, empresas e instituições de ensino no mundo inteiro estão à procura de novos parâmetros para transformar ideias, valores e práticas que não podem mais se perpetuar. Não apenas por questões éticas, mas pela própria sobrevivência da espécie humana.
Estamos saindo de uma forma de pensar fragmentada para um pensar sistêmico, transdisciplinar e holístico. Esse novo nível de percepção exige certos malabarismos, como saber como adaptar novas condutas vivendo em estruturas convencionais.
CURIOSIDADE: o significado da palavra procura pode ser ampliado quando a lemos “pró-cura”. Pensar um novo mundo implica querer procurar esse novo mundo.
Leia no Para ir além:
trechos do livro Bioética: ciência e transcendência,
de Mário Antônio Sanches
Impossível chegar a qualquer conclusão sobre um novo pensar sem fazer uma profunda reflexão sobre o que é o pensamento, o que acontece quando pensamos e qual a história do pensamento humano. Quem é este que pensa dentro de mim? O filósofo alemão Hegel (1770-1831) dizia que a “história é um processo que tem propósito e cabe ao filósofo descobrir qual é”.
Para Hegel, os pensamentos não são meramente um reflexo da realidade, mas também um movimento daquela mesma realidade. Sendo assim, cada sujeito é um fazedor da história, o que nos leva a concluir que buscar o propósito da história, atualmente, é um desafio que se estende a cada indivíduo.
Pesquisas científicas recentes mostram que os bebês têm uma percepção global do ambiente ao seu redor. O natural para a criança é a não-separatividade. Olhar o mundo com olhos de criança é, portanto, um novo parâmetro para uma nova forma de pensar.
Leia no Para ir além:
“O planejamento de um novo mundo”,
de Rosa Alegria
O pensamento sistêmico acredita que o desenvolvimento humano requer outros parâmetros além daqueles que a racionalidade oferece, tais como a subjetividade das artes e das diversas tradições espirituais. Surgiu no século XX como oposição ao pensamento "reducionista-mecanicista" próprio de ilustres como Descartes, Bacon e Newton.
Na matemática, o parâmetro é um elemento, uma variável. Ele pode ser decisivo para a estruturação de um sistema ou pode ser algo não considerado. Se uma variável não é considerada na construção de um sistema, ela não fará parte desse sistema e será, então, um parâmetro externo ou excluído.
“Nem tudo o que conta é contável. Nem tudo o que é contável conta.”
(Albert Einstein)
CURIOSIDADE: considerar é palavra-irmã de siderar, relativo aos astros. Sentido etimológico no dicionário Houaiss: o latim considerare = examinar com cuidado e respeito religioso os astros, segundo os princípios da astrologia.
Para os que se sentem confortáveis com modelos preestabelecidos, um parâmetro externo é sempre uma ameaça à estrutura organizada. Mas “a estrutura é antes uma plataforma para voar do que um atoleiro para se atolar” (Alfredo Bosi, historiador). Lembre-se do que deve ser considerado na hora de estruturar seu projeto.
Leia no Para ir além:
sobre educação para sustentabilidade
O corpo humano é um sistema que se mantém vivo por considerar infinitos parâmetros, tanto terrestres quanto cósmicos. Logo, a vida acontece sistemicamente. A bactéria que resiste ao antibiótico e transmite essa informação às gerações futuras é um exemplo de como a natureza encena o mecanismo biológico pelo qual pensa e planeja o amanhã. É vida defendendo vida.
Há 4,5 bilhões de anos, quando a Terra não acolhia vida complexa por conta do ambiente tóxico de enxofre, ácidos, metano e outros, as bactérias já tinham desenvolvido um sistema para utilizar e sobreviver com tais substâncias. Elas. Parece incrível, mas temos lições a aprender com as bactérias, que já praticavam há bilhões de anos o que diz a canção: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Leia no Para ir além
“Que filhos deixaremos para o planeta?”,
de Regina Migliori
“A Terra é o centro do Universo
A casa é o centro da Terra
A família é o centro da casa
A pessoa é o centro da família”
(canção basca no livro O caminho quádruplo, de Angeles Arrien)
Leonardo Boff explica que a palavra cuidado deriva do latim, significando “cura”: “Em seu sentido mais antigo, cura se escrevia em latim coera e se usava em um contexto de relações humanas de amor e de amizade. Cura queria expressar a atitude de cuidado, de desvelo, de preocupação e de inquietação pelo objeto ou pela pessoa amada”, explica Boff.
Nossas células, embora cientes das diferenças entre si, consideram mais importante o que elas têm de igual. Assim permanecem unidas e cooperam para que o corpo funcione. Logo, a simples reunião de partes não garante o sucesso do todo. As interações são tão importantes quanto as partes. Ou seja, a forma com que uma decisão é tomada é tão importante quanto a própria decisão.
Desenvolver o senso de alteridade, percebendo o outro como semelhante e cuidando para que nosso organismo único permaneça saudável é nossa lição de casa na construção de um sustentável mundo novo.
“Muito além dos conceitos de malfazer e bem-fazer existe um campo. Lá te encontrarei.”
(Rumi, poeta persa séc. XIII)
Leia no Para ir além:
“O cuidado essencial: princípio de um novo ethos”,
de Leonardo Boff
E a fábula-mito do cuidado na entrevista com a educadora ambiental
de Rita Mendonça
Leia no Para ir além: “O cuidado essencial: princípio de um novo ethos”, de Leonardo Boff
E a a fábula-mito do cuidado na entrevista com a educadora ambiental Rita Mendonça
“O amor nasce do entendimento de que não podemos ser plenamente nós sem o outro. Amar pressupõe, portanto, plena aceitação e aprendizado. Exige de nós total apoio e cuidado para com o outro. Um cuidado que não se limita ao outro humano, mas abrange a Terra e o cosmos. Sem a práxis amorosa, toda ideologia, toda filosofia e toda retórica são vãs.
Economia, em grego, quer dizer “gestão da casa”. Todos precisamos gerir e cuidar de cada uma das casas que habitamos, bem como aspirar ao desenvolvimento integral. Mas isso nada tem a ver com o acúmulo de bens materiais. O objetivo último da atividade econômica é o mais-ser (Teilhard de Chardin), e não o bem-estar.
Leia no Para ir além:
Trecho do artigo “Educação para uma economia do amor e as nove dimensões do FIB”,
de Marcos Arruda, socioeconomista e educador,
e também “Os limites da competitividade”,
de Henrique Rattner
“Eficiência é fazer as coisas da maneira certa; efetividade é fazer as coisas certas. Não há nada tão inútil como fazer com grande eficiência algo que nunca deveria ter sido feito.” (Peter Drucker)
Conta uma antiga lenda, antes de o desmatamento ser problema, que um velho lenhador de uma longínqua aldeia ganhara um torneio para decidir quem cortava mais árvores em menos tempo. Um jovem concorrente, sem entender sua vitória, não se conteve e perguntou ao experiente lenhador: “Como conseguiste cortar mais árvores se, toda vez que eu te via, estavas sentado à sombra, como a descansar?” O lenhador simplesmente respondeu: “Toda vez que tu assim me viste eu estava afiando o meu machado”.
Um dia tem 24 horas. Quanto destinamos para afiar nosso ”machado” com leitura, escrita e troca?
Leia no Para ir além:
A ética nos negócios”,
de Christopher Drake e
a entrevista com James Heckman,
prêmio Nobel de Economia em 2000
Afiar nosso corpo é fazer bom uso dele, integrando suas dimensões física, intelectual e emocional, pois o que não é usado se atrofia. O músculo paralisa, o cérebro se aliena e o coração fica egoísta. Uma das causas originais de todos os problemas de saúde é nossa maneira de pensar. O que pensamos influencia nosso comportamento físico e vice-versa, dado que mente e corpo se harmonizam numa unidade indissolúvel. Postura e respiração corretas, exercícios físicos e alimentação equilibrada influenciam positivamente nosso pensar.
De acordo com a antropóloga e psicóloga Susan Andrews, as emoções têm sua “assinatura bioquímica” particular. Cada vez que mudamos de humor, grandes quantidades de neurotransmissores e hormônios invadem as células. Dito de forma mais poética, quando estamos tristes, nosso fígado está triste, nossos rins estão tristes, nossa pele está triste. A hostilidade está associada ao excesso de cortisol; o bem-estar, à serotonina e à endorfina; o afeto, à ocitocina, e a felicidade, à dopamina, entre outras.
CURIOSIDADE: a palavra homem tem a mesma etimologia de húmus, que significa “terra”... mas não qualquer terra; húmus é terra fértil.
Leia no Para ir além:
entrevista com Susan Andrews
e também a “Urbanização e saúde: questões no terceiro mundo”
“Quando você tem de tomar uma decisão e não toma, isso em si já é uma decisão.” (William James, 1842-1910, filósofo)
“Como gerente você é pago para estar desconfortável. Se você está confortável, é um sinal seguro de que você está fazendo as coisas erradas.” (Peter Drucker, filósofo e economista)
Aquilo que você é ninguém mais é. Ao mesmo tempo, somos todos iguais. Haja pensamento sistêmico para entender essa complexidade! Um dito popular refresca o raciocínio. Quando o assunto é escolher um mundo sustentável, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, se juntar o bicho foge!”. O interessante é que poucos conhecem a terceira e última frase, justamente a que traz a solução dentro dos novos paradigmas de cooperação. Um novo e sustentável mundo é possível desde que façamos a escolha de olhar o bicho de frente e de mãos dadas. Nessa tarefa, as mãos de educadores como você são indispensáveis! Falando nisso, mãos à obra na criação de seu projeto.
Estamos aguardando sua honrosa participação.
Para ir além...
- Entrevista com James Heckman, prêmio Nobel de Economia em 2000
- Inspiração para escrever (Caco de Paula sobre a paixão de Manoel de Barros pela palavra)
- Gotas de delicadeza (Sandra Chemin)
- Sustentabilidade nas pequenas coisas (Valdir Lamim-Guedes e Jessica Brito)
- Gestão de cidades (Denise Ribeiro)
- Sustentabilidade em casa (Raquel Nunes)
- O papel da leitura – Entrevista com Tatiana Belinki (Um bom livro é infinito)
- Educação para uma economia do amor (Marcos Arruda)
- Trechos do livro Bioética: ciência e transcendência, de Mário Antônio Sanches
- O planejamento de um novo mundo (Rosa Alegria)
- Leia sobre educação para sustentabilidade - EcoAgência e Ecoliteracy
- Que filhos deixaremos para o planeta? (Regina Migliori)
- Comunicação Ética, Cultura de Paz e Sustentabilidade (Regina Migliori)
- O cuidado essencial: princípio de um novo ethos (Leonardo Boff)
- Fábula-mito do cuidado na entrevista com a educadora ambiental (Rita Mendonça)
- Trecho do artigo “Educação para uma economia do amor e as nove dimensões do FIB” (Marcos Arruda, socioeconomista e educador)
- Os limites da competitividade (Henrique Rattner)
- A ética nos negócios (Christopher Drake)
- Entrevista com Susan Andrews
- Urbanização e saúde: questões no terceiro mundo
- Texto Carta do chefe Seattle de 1854
Comunicação Ética, Cultura de Paz e Sustentabilidade
- Sugestão de leitura com comentários.
- Alfabetização ecológica – A educação das crianças para um mundo sustentável, organizado por Michael K. Stone e Zenobia Barlow, Editora Cultrix, 2006.
- A escola sustentável, de Lúcia Legan, Editora Imprensa Oficial, 2.ª edição – 2007.
- A carta do cacique Seattle, de Ted Perry, Versal Editores, 2007.
- Administrando a água, como se fosse importante, organizado por Ladislau Dowbor e Renato Arnaldo Tagnin, Editora Senac, 2005.
- Aquecimento global: como trabalhar esse tema na sala de aula, Coleção Editora Scipione, 2007.
- Biodiversidade: para comer, vestir ou passar no cabelo?, organizadopor Nurit Bensusan, Ana Cristina Barros, Beatriz Bulhões e Alessandra Arantes, Editora Peirópolis, 2005.
- Breve história de quase tudo, de Bill Bryson, Companhia das Letras, 2007.
- Caminhos para o desenvolvimento sustentável, de Ignacy Sachs, Coleção Ideias Sustentáveis, organização de Paula Yone Stroh, Editora Garamond, 2002.
- Educação como prática da liberdade, de Paulo Freire, Paz e Terra, 1967.
- Eu, você e tudo que existe (fábula ecológica), de Liliana Iacocca, ilustrações de Siron Franco, Editora Ática, 2007.
- Os desafios da sustentabilidade, de Fernando Almeida, Editora Campus Elsevier, 2007.
- Procura-se um planeta sustentável, de Tânia Alexandre Martinelli, ilustrações de Camila de Godoy Teixeira, Série Diálogo, Editora Scipione, 2007.
- A teia da vida, de Fritjof Capra, Editora Cultrix, 1996.
- O caminho quádruplo – Trilhando os caminhos do guerreiro, do mestre, do curador e do visionário, de Angeles Arrien, Editora Ágora.
- A metamorfose, Franz Kafka, Companhia das Letras – a partir da 7ª série
- A trilha dos ninhos de aranha, Italo Calvino, Companhia de Letras – a partir da 6ª série
- As intermitências da morte, José Saramago, Companhia das Letras – a partir da 7ª série
- Bichos, Miguel Torga, Nova Fronteira – a partir da 5ª série
- Capão Pecado, Ferréz, Objetiva – Ensino Médio
- Capitães da areia, Jorge Amado, Record – a partir da 7ª série
- Compêndio para uso dos pássaros, Manuel de Barros, Record – todas as séries e idades
- De repente, nas profundezas do bosque, Amós Oz, Companhia das Letras – a partir da 5ª série
- Macunaíma, Mário de Andrade, Agir – a partir da 7ª série
- Morte e vida severina, João Cabral de Melo Neto, Alfaguara Brasil – a partir da 7ª série
- Nascemos livres – a Declaração universal dos direitos humanos em imagens, Bartolomeu Campos de Queirós, Edições SM – todas as idades
- Noções de coisas, Darcy Ribeiro / Ziraldo, FTD – todas as idades
- O pequeno príncipe, Antoine de Saint-Exupery, Agir – todas as idades
- O primeiro homem e outros mitos dos índios brasileiros, Betty Mindlin, Cosac & Naïf – todas as idades
- Os estatutos do homem, Thiago de Melo, Vergara & Riba – todas as idades
- Ratos e homens, John Steinbeck, LP&M – a partir da 7ª série
- Vidas secas, Graciliano Ramos, Record – a partir da 7ª série
- A Carta da Terra - Documento redigido pelo Conselho da Terra em 1998.